Nesta semana, a polêmica Lei de Biossegurança voltou a ser palco de uma intensa discussão entre católicos e cientistas. Aprovada em 2005, esta Lei permite o uso de células-tronco embrionárias humanas (as primeiras células desenvolvidas logo após a fecundação) em pesquisas que procuram a cura de doenças graves como a diabetes, Mal de Parkinson, esclerose múltipla e muitas outras.
Este debate voltou à tona porque, na próxima quarta-feira, terá um julgamento no STF para aprovar ou não estes estudos. O julgamento acontecerá por causa de um pedido do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade, no mesmo ano de 2005, solicitando a proibição das pesquisas. Desde então, os cientistas interromperam seus trabalhos, pois temiam perder altos investimentos com uma possível anulação da Lei.
A Igreja católica exerce uma influência enorme para que a Lei de Biossegurança não seja aprovada. Além de considerar um precedente para a legalização do aborto, ela alega que se trata de uma “violação ao direito da vida”. Diferentemente da opinião da maioria dos cientistas, para os católicos a vida humana surge a partir da fecundação.
Já em relação aos que defendem o uso de células embrionárias, o Ministro da Saúde, cientistas e portadores de doenças que podem ser beneficiados, começaram uma intensa campanha para a legalização da Lei de Biossegurança.
Torço para que ela seja aprovada, não concordo que haja vida humana nos embriões. Como bem mostrou a renomada geneticista Mayana Zatz para ministros do STF, em uma agulha de espessura fina e 5 centímetros de comprimento cabem centenas de embriões humanos. Quanto à demora para aprovar de vez a Lei de Biossegurança é, para mim, uma violação à vida de milhares de brasileiros que aguardam, quando podem, a cura de suas doenças.