segunda-feira, 7 de abril de 2008

Retrocesso Carioca

Durante muito tempo o Campeonato Carioca foi uma bagunça. Todo ano a FERJ modificava o regulamento, com formas variadas de disputa e alterações no número de clubes participantes e rebaixados. O ápice da desorganização ocorreu em 2002, quando foi disputado sem transmissão de TV e ao mesmo tempo da Copa do Mundo. A cobertura no rádio e jornal foi mínima e o campeonato ganhou o apelido de Caixão. Muitos tricolores até esqueceram da conquista do título contra o Americano. A partir dali, os dirigentes cariocas perceberam que algo tinha que ser mudado.
E foi! Em 2004, a FERJ criou uma fórmula espetacular em matéria de emoção para o Carioca. Imprescindível devido ao calendário brasileiro saturado, o campeonato também era curto: doze clubes, dois grupos e dois turnos. Na taça Guanabara (1ºturno), os times do mesmo grupo se enfrentavam e os dois primeiros de cada um se classificavam para as semifinais. Na Taça Rio, as duas melhores equipes de cada grupo também se classificavam, só que os confrontos eram contra os adversários de grupo diferente. Deu certo! Este campeonato de tiro curto trazia emoção em todas rodadas. E os clubes pequenos conseguiram surpreender os quatro tradicionais com certa freqüência. Jornalistas esportivos de todos os cantos do país eram unânimes ao afirmar que o Campeonato Carioca era o mais emocionante e charmoso entre todos os estaduais. Com tanto sucesso, a forma de disputa seguiu igual nos três anos seguintes.
Mas, neste ano, o campeonato carioca teve seu regulamento modificado novamente. Por que? Muita gente poderosa não se conformava com o sucesso dos times pequenos, que tirava os grandes das fases finais. Então, duas medidas foram tomadas para que Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco tivessem a vida facilitada até as semifinais:

· Inclusão de mais quatro equipes: com 16 times na disputa, o campeonato se torna mais longo e, conseqüentemente, os grandes têm mais jogos para se recuperar de eventuais tropeços. Além disso, mais equipes significa mais opções de trabalho para os poucos bons jogadores disponíveis para serem contratados. Então, esses raros bons atletas ficam mais espalhados entre os times de pequeno porte, que ficam com mais dificuldades para montar um plantel de qualidade.
· Jogos dos grandes só podem ser disputados no João Havelange, Maracanã e São Januário: essa medida absurda tirou qualquer chance de uma equipe pequena se classificar para as fases finais. A alegação para os grandes só jogarem em casa se baseia nos times menores não terem infra-estrutura para receberem os grandes em seus domínios; seria um pedido da TV. Injustiça com o Volta Redonda que investiu pesado no estádio Raulino de Oliveira, um dos mais modernos do Brasil.
Depois de quatro anos com campeonatos sensacionais, o estadual do Rio ficou chato. Nos dois turnos já se sabia com antecedência da classificação dos quatro grandes para a fase seguinte. Por isso, com exceção das semifinais e da final da Taça Guanabara, todos os jogos tiveram uma presença pífia de torcedores nos estádios, inclusive nos clássicos. Se o regulamento do Carioca se mantiver no ano que vem, o campeonato será um tédio ainda maior, pois o querido América conseguiu cair para a 2ª divisão. Por que não fazer então o Carioca só com os quatro grandes?

PS. Ao menos neste final de campeonato não faltará emoção. E o blogueiro não deixará de dar seu palpite. A final da Taça Rio será entre Fluminense e Botafogo. O tricolor porque tem um time muito superior ao Vasco, e o Botafogo porque será beneficiado com o cansaço dos rubro-negros por jogarem quatro dias antes na altitude de Cusco pela Copa Libertadores.

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